
Limite do MEI em 2026: o que muda na prática para o seu faturamento
Se você é Microempreendedor Individual ou está pensando em abrir CNPJ como MEI, provavelmente já ouviu falar sobre o possível aumento do limite de faturamento para R$ 144 mil. Mas afinal, essa mudança já está valendo em 2026?
Apesar de existirem projetos de lei propondo a atualização do teto, o limite anual do MEI continua sendo de R$ 81.000, conforme a legislação vigente. E entender isso é fundamental para evitar erros na gestão fiscal e problemas com a Receita Federal.
O que diz a lei atualmente
De acordo com a Lei Complementar nº 123 de 2006, que institui o Estatuto Nacional da Microempresa e da Empresa de Pequeno Porte, o Microempreendedor Individual pode faturar até R$ 81.000 por ano. Esse valor equivale a uma média mensal de R$ 6.750.
Essa regra está expressamente prevista no artigo 18-A da referida lei e continua válida em 2026.
O próprio Portal do Empreendedor, mantido pelo Governo Federal, confirma esse limite como regra atual. A Receita Federal também mantém essa orientação em seus materiais oficiais sobre o MEI.
Por que se fala tanto em R$ 144 mil?
Existem projetos de lei em tramitação no Congresso Nacional propondo o aumento do limite. Um deles é o PLP 261 de 2023, que prevê a elevação para R$ 144.000 por ano. Outro projeto, o PLP 108 de 2021, propõe o aumento para R$ 130.000.
No entanto, até o momento, nenhum desses projetos foi aprovado e transformado em lei. Ou seja, ainda não produzem efeitos práticos.
É como anunciar a ampliação de uma estrada que ainda não foi construída. A intenção existe, o debate está em andamento, mas a regra atual continua sendo a mesma.
O que acontece se ultrapassar R$ 81.000?
Aqui está um ponto crucial da gestão fiscal do MEI.
Se o faturamento anual ultrapassar o limite, o desenquadramento é obrigatório. E a consequência depende do quanto foi excedido.
Se o excesso for de até 20 por cento do limite anual, ou seja, até R$ 97.200, o empreendedor será desenquadrado e passará a recolher como Microempresa no Simples Nacional a partir do ano seguinte, pagando a diferença de tributos.
Se ultrapassar mais de 20 por cento, o desenquadramento é retroativo a janeiro do próprio ano, com recolhimento de impostos como Microempresa, além de possíveis acréscimos de multa e juros.
Essas regras estão previstas na Lei Complementar nº 123 de 2006 e regulamentadas pela Resolução CGSN nº 140 de 2018.
Imagine descobrir no final do ano que você faturou além do permitido e agora precisa recalcular impostos de meses anteriores. É exatamente esse tipo de surpresa que uma boa contabilidade consultiva ajuda a evitar.
As demais regras do MEI continuam as mesmas
Mesmo com discussões sobre mudança de limite, as regras atuais permanecem:
O MEI pode contratar apenas um empregado, conforme artigo 18-C da Lei Complementar nº 123.
A entrega da DASN-SIMEI, declaração anual do faturamento, continua obrigatória.
O pagamento mensal do DAS é indispensável para manter a regularidade e os benefícios previdenciários.
A lista de atividades permitidas segue conforme regulamentação do Comitê Gestor do Simples Nacional e do Portal do Empreendedor.
O papel da contabilidade para pequenas empresas
Muitos empreendedores acreditam que o MEI não precisa de acompanhamento contábil. Mas a prática mostra o contrário.
Controle de faturamento, planejamento para crescimento, análise de margem e organização financeira são pontos estratégicos. Se o negócio estiver próximo do limite, pode ser o momento ideal para planejar a transição para Microempresa de forma estruturada.
A contabilidade para pequenas empresas não serve apenas para cumprir obrigações, ela orienta decisões. Quando migrar de categoria? Vale a pena mudar de regime tributário? Como organizar a gestão fiscal para pagar menos impostos dentro da lei?
Essas perguntas fazem parte da rotina de quem deseja crescer com segurança.
Planejamento evita problemas
Se existe uma palavra-chave para o MEI em 2026, é planejamento.
Enquanto o novo limite não é aprovado, a regra dos R$ 81.000 continua valendo. E agir com base em informações não oficiais pode gerar autuações, multas e dores de cabeça.
Antes de expandir faturamento ou alterar sua estrutura, o ideal é analisar os números com cuidado e, se necessário, preparar a transição para outro enquadramento jurídico.
A formalização é o primeiro passo, mas a gestão estratégica é o que sustenta o crescimento.
Na Primeiro Plano Contabilidade, acompanhamos diariamente as atualizações da legislação e orientamos empresários sobre abrir CNPJ, regularização de empresa, migração de MEI para ME e gestão fiscal estratégica.
Se houver mudança no limite, você será o primeiro a saber. Até lá, seguimos com o que a lei determina hoje.
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